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A Catedral de Notre-Dame e o Sistema de Prevenção e Proteção contra Incêndio

03.05.2019 | EM Artigos

Após o incêndio que atingiu a Catedral de Notre-Dame no último dia 15 de abril, toda Europa entrou em alerta sobre os cuidados contra acidentes do mesmo tipo nas construções e monumentos históricos em todo o continente. O mesmo vale para o caso brasileiro mais recente, quando o Museu Nacional do Rio de Janeiro teve seu interior completamente destruído pelo fogo em setembro de 2018.

O sistema de segurança anti-incêndio da Catedral de Notre-Dame está sendo analisado por especialistas para identificar os motivos que levaram o fogo a se alastrar tão rapidamente. Segundo o arquiteto responsável pelo projeto de proteção, Benjamin Mouton, o sistema foi baseado na ideia de que as vigas de carvalho antigo do sótão da igreja queimariam lentamente, resultando em tempo suficiente para identificação e combate ao incêndio. Isso, porém, não aconteceu. 

Quando o alarme anti-incêndio da Catedral de Notre-Dame foi acionado, um guarda do prédio precisou subir até o sótão por uma escada íngreme e detectar se havia mesmo fogo no local, e só após a visualização do fogo que os bombeiros foram acionados. Esse processo levou aproximadamente 20 minutos, tempo que, segundo especialistas, foi devastador para a estrutura do prédio. 

Com uma estrutura delicada, o teto da Catedral recebia especial atenção no plano anti-incêndio desenvolvido em 2013. Dois guardas monitoravam o local dia e noite. Um dos responsáveis pelo projeto, o tenente-coronel Régis Prunet, afirmou que o sistema de sprinklers não foi instalado pois, se acionados, afogaria a estrutura interna. 

O sistema anti-incêndio, no entanto, falhou completamente naquele dia. O primeiro alarme de fogo soou às 18h20, mas o guarda responsável não visualizou nada fora do normal. A segurança da Catedral, porém, não tentou identificar o motivo pelo disparo do alarme, o que, dizem especialistas, foi o maior erro cometido pela equipe. O segundo alarme tocou às 18h43, e quando o guarda voltou, o fogo já estava conflagrado. Os bombeiros foram acionados às 18h51.

Várias atitudes prévias poderiam ter evitado o fogo em Notre-Dame, como a construção de muros anti-incêndio no local, como previsto no plano original e retirado depois, ou a presença permanente de bombeiros na catedral, como acontece no Louvre e nas sedes do Tribunal de Paris, da Assembleia Nacional e da Biblioteca Nacional.

No Brasil, a Lei Federal nº 13.425, de 30 de março de 2017, estabelece normas sobre medidas de prevenção e combate a incêndio, mas isso não se repete em outros países. Na revista comemorativa aos 10 anos da IPC Brasil, lançada em 2018, entrevistamos o engenheiro e Coronel do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul, Adriano Krukoski, que falou sobre o assunto. Para ler, clique aqui.